Baderna, algazarra e selvageria. Sociedade do jeito que o diabo gosta.

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  • 09/07/2016

Baderna, algazarra e selvageria. Sociedade do jeito que o diabo gosta.

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                     O assassinato do policial militar em Goiás, por um indivíduo que tentou evitar a prisão do próprio filho roubando a arma do PM e disparando contra o mesmo, na mesma semana em que outro militar foi assassinado por bandidos em Porto Alegre, demonstra ao ponto em que a baderna se instalou em nossa sociedade.

                A ordem, valor fundamental em qualquer comunidade humana, há muito já foi deturpada. Hoje, qualquer manifestação de autoridade, algo que é necessário para que a vida humana em sociedade não acabe em selvageria, vem sendo taxada de conservadora e opressora.

                “Tá certo”, somos mesmo “pessoinhas” humanas angelicais e, desde que libertos da influência de qualquer autoridade, vamos sempre agir pelo bem.

                Ora, sejamos francos. A ideia pregada por Rousseau de que o “homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe” é dotada de uma imbecilidade tremenda.

                O homem é um animal dotado de vontades e instintos. Se colocado para conviver com seus pares sem nenhuma ordem ou autoridade que lhe imponha limites buscará, como qualquer animal, satisfazer suas vontades e instintos de modo ilimitado.

                É graças a estipulação de critérios morais, resguardados por uma autoridade legítima dotada de força e poder coercitivo que as vontades humanas conseguem ser freadas e a ordem implementada.

                Onde não se respeita a autoridade, seja a do policial, do professor ou dos pais, reina a algazarra e o medo.

                O político romano há mais de 2.000 anos já havia sentenciado que a liberdade, sem ordem é nula.

                Não precisa ser gênio para perceber que hoje os alunos já não respeitam a autoridade do professor, os filhos não respeitam a autoridade dos pais e os cidadãos não respeitam a autoridade dos policiais, que representam o poder público e a autoridade pública da própria sociedade.

                Quando os indivíduos vivem sem regras a violência e a lei do mais forte reinam soberanas. A paz e a liberdade são incapazes de surgir onde não há ordem alguma.

                No Brasil, pela convicção ingênua daqueles que creem ser a liberdade e a ordem conceitos opostos, ganha a libertinagem ao custo da ordem, com o sacrifício da liberdade.

                Para aqueles que seguem acreditando que são as condições sociais que tornam as pessoas violentas e imorais, vê-se, com o assassinato do policial, que na verdade o problema é outro: incapacidade de respeitarmos a autoridade e de aceitarmos o império do direito e da ordem. Nas palavras dos antigos, quandi diziam de modo simplista, que baderna era "falta de laço", nada mais queria dizer que a dificuldade em alguém submeter-se à autoridade, deveria levar a imposição dessa àquele, mediante o uso da força coercitiva.

                Esse é o Brasil, terra de ninguém. Onde os cidadãos temem uns aos outros, onde pais temem os filhos, professores temem os alunos e policiais, último bastião da ordem, segurança e liberdade, também começam a ter medo.

Por Mateus Wesp