As angústias do 15 de Novembro
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  • 15/11/2018

As angústias do 15 de Novembro

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O feriado da proclamação da República sempre me faz refletir sobre o motivo pelo qual atuo na política, já que me provoca tristezas ao lembrar-me do passado e angústias sobre o futuro do país.

O Brasil Império possuía uma Monarquia Constitucional parlamentarista que – graças a separação das funções de Estado e de Governo em órgãos distintos (o Imperador era o Estado, o Presidente do Conselho de Ministros, o Governo) - tinha o condão de gerar um consenso nacional unindo os brasileiros acima das suas divergências partidárias.

A República, inaugurada em 15 de novembro de 1889, instituiu o presidencialismo e de lá para cá lançou o país em uma divisão política radical, irmão contra irmão, como se as diferenças que nos separam fossem mais importantes que a nacionalidade brasileira que nos une.

No Rio Grande do Sul essa divisão se deu de modo extremo, pois, já nos primeiros anos de República, nossos compatriotas rio-grandenses pelejaram sob as cores dos lenços branco e colorado, cada um lutando por um ideal sem conseguirem convergir para objetivos políticos comuns.

Os chimangos de lenço branco - liderados por Júlio de Castilhos, defendendo a manutenção da República presidencialista -, e os maragatos de lenço vermelho - liderados por Gaspar Silveira (no campo das ideias) e por Gumercindo Saraiva (no plano militar), uns maragatos sendo monarquistas e outros republicanos – que buscavam a implementação do parlamentarismo.

Conhecedores da sabedoria institucional advinda do parlamentarismo, que vigorou durante a monarquia, compreendiam que os mais de 64 anos de estabilidade política e manutenção pacífica das divergências partidárias dentro dos quadros da civilidade e da legalidade não existiram por acaso, mas pelos avanços políticos gerados pelo sistema de governo parlamentarista teorizado por Benjamin Constant na França, em 1812.

A divisão política exposta de modo infindável pela autocracia presidencialista gerou conflitos não apenas no campo político, mas, até mesmo, no âmbito familiar.

Meu avô, Eleste Mello de Lima, já falecido há mais de 25 anos, foi contemporâneo das revoluções do nosso estado. Era chimango positivista. Me legou, como herança, seu lenço branco e sua faca prateada.

Eu, por outro lado, sendo maragato federalista, defensor do parlamentarismo e, portanto, portando as cores do lenço colorado, nunca usei seu lenço branco que serve, entretanto, para lembrar-me das causas políticas que não posso abrir mão.

Refletir sobre esses fatos foi um dos motivos que me levaram a política partidária ainda na adolescência e, inclusive a filiação ao PSDB, único partido no Brasil que abertamente defende a implantação do parlamentarismo no país.

Atuar na política é a forma que encontro de prosseguir lutando no campo das ideias para fazer renascer a grandeza institucional do parlamentarismo existente durante o Brasil Império, em que sob a forma de governo Monárquica, tínhamos um sólido sistema de governo invejável pelas demais nações.

Nos dias de hoje o Brasil segue dividido e, por isso, não vejo motivos para comemorar com entusiasmo o feriado da proclamação da República, afinal, foi pela insurreição militar feita a baioneta, no dia 15 de novembro, que instaurou-se no país esse perverso sistema de governo presidencialista que, mantido na base das barganhas escusas, continua fazendo da política brasileira um palco de guerra, ao invés da busca pelo bem comum.

Por
Mateus Wesp