É democrático protestar amanhã?

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  • 12/03/2016

É democrático protestar amanhã?

Megafone

Antes que me taxem de reacionário, golpista ou antidemocrático, vamos definir uma coisa: O que é democracia?

Sei que o termo é utilizado nos mais diversos contextos, muitos dos quais, são totalmente desvinculados daquilo que a palavra realmente significa.

Na verdade, democracia, significa tão somente uma forma de governo em que a maioria dos cidadãos decide quais os rumos que o Poder Político que comanda a sociedade adotará.

A democracia, se comparada a aristocracia ou a monocracia, tem o bônus de não excluir ninguém do processo de participação política.

Todos dão seu “pitaco” o que, a princípio estará mais perto da verdade já que, duas (aqui, no caso, todas) cabeças pensam melhor do que uma (ou algumas).

Seu ônus é que, advindo de uma participação política geral, corre o risco de apresentar decisões políticas equivocadas, oriundas das paixões do momento nas quais o grosso da sociedade sucumbiu.

Se a democracia consiste na realização da vontade da maioria, deve-se atentar que essa vontade deve ser respeitada a todo momento, e não somente no dia da eleição.

Do contrário, a vontade popular acaba pervertida, enganada, quase que soberana tão somente por um dia para, depois, ser subvertida por outros interesses.

Ora, esse raciocínio serve como aviso a toda e qualquer tentativa de derrubada de governos de origem democrática.

Se o governo do dia detém a confiança da maioria da população, é obvio que deve ser mantido no poder.

Todavia, se não mais a mantém, por consequência lógica, seria absurdo afirmar que deve permanecer no poder. Do contrário, existiria um governo contrário a vontade da maioria o que, diga-se de passagem, nada democrático.

Afirmar que um governo deva permanecer no poder por um prazo determinado, mesmo que não detenha mais a confiança popular, só porque um dia, esse mesmo governo obteve essa confiança é ridicularizar a inteligência das pessoas.

Tal raciocínio seria semelhante caso alguém nos perguntasse, num determinado dia, qual prato gostaríamos de saborear, em comemoração ao nosso aniversário. Nesse dia, o poder de escolha seria nosso, visto que somos os donos da festa.

Supondo que escolhêssemos determinada refeição, seria absurdo se, após a escolha, supondo que o prato escolhido fosse intragável, e que tentássemos não comer mais, que aquele que fez a pergunta sobre os pratos afirmasse: “Infelizmente, embora o prato esteja uma droga, estás obrigado a comê-lo, não podendo refutá-lo. Ninguém mandou escolher este. Agora aguenta”.

Ora, com esse tipo de refeição, nada democrática, em que aquele que, supostamente, deveria escolher o cardápio que lhe agrada e comandar a festa, torna-se escravo de suas escolhas, dá para entender o tipo de maluquice que passa na cabeça daqueles que chamam de golpistas os que irão se manifestar amanhã.

Mesmo aqueles que votaram no atual governo, caso estejam descontes, tem todo o direito de se arrepender de sua escolha exigindo que sua vontade (que como todos sabem, muda com o tempo) seja respeitada.

É óbvio que trocar de governo, do mesmo modo que botar fora um prato elaborado com esmero e cuidado, gera custos. Serão desperdiçados recursos.

Todavia, aqui nãos e trata da lei do “o que não mata engorda” ou do “não tem cão, caça como gato”, mas, simplesmente, da soberania absoluta e constante da vontade popular.

Ou o povo pé soberano e faz valer sua vontade A QUALQUER TEMPO, ou não vivemos em uma democracia.

Por Mateus Wesp