Ordem, Progresso e Rivotril!

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  • 12/03/2017

Ordem, Progresso e Rivotril!

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George Orwell acertou em cheio em suas obras de ficção científica quando demonstrou que a modificação do sentido das palavras é a melhor ferramenta de manipulação. 

A distorção dos sentidos das palavras é um eficiente meio de conduzir e doutrinar uma massa de leigos para sustentar uma minoria de poderosos.

Desde que me conheço por gente sei que só se ocupa aquilo que é de propriedade própria e que “ocupar” coisa pertencente a outrem é invasão ou roubo.

No Brasil, por exemplo, virou moda denominar de ocupação aquilo que todos fingem não ver: invasão de propriedade privada. Não é de se duvidar que logo mais alguém afirme que vai “ocupar a minha carteira ou o veículo de um amigo” ou “ocupar os valores da conta bancária de um colega de trabalho” sem que isso seja, é claro, invasão da liberdade individual alheia.

Situação estranha, mas se você está no manicômio, como me parece ser a conjuntura política da sociedade brasileira atual, não costuma dar muito certo ficar discutindo com gente maluca.

A manipulação começa sempre com a defesa de ideais coletivistas, supostamente um ato solidário quase sempre revestido de falsa caridade, com o pretexto de proteger e promover os direitos das minorias.  O resultado sempre termina por esmagar a mais frágil e elementar das minorias: o indivíduo. 

Destruindo direitos e garantias individuais, tal qual o direito de propriedade, eliminam-se os entraves para a subversão total da sociedade. Abre-se caminho para a quebra da ordem jurídica generalizada que só pode servir aqueles que usam da força e da astúcia para benefício próprio.

Com o brado de que os fins justificam os meios, se fortalece o que deveria ser enfraquecido: a baderna. Com isso, o cidadão acaba caindo em uma armadilha, uma areia movediça que lentamente vai tirando a sua liberdade e seus direitos individuais. Sem perceber, muita gente luta para ser livre no mesmo instante em que constrói a sua própria cela - na prisão ou no manicômio.

Quando vemos inúmeras manifestações buscarem a implementação de direitos sociais a força, ao invés de respeitarem as regras e a legalidade vigente, tem-se a noção do grau de inversão dos valores da nossa sociedade. 

É tão difícil perceber as consequências de tais comportamentos? Não é óbvio que se hoje desobedecemos o direito para nos beneficiarmos, amanhã não haverá garantia alguma que outrem também o desobedeça para nos prejudicar?

Já está mais do que na hora de chamarmos as coisas pelo seu verdadeiro nome. Invadir propriedade privada não é ocupação, é crime previsto em lei desde o tempo do "êpa".

Quando a informação é por demais reveladora do óbvio – baderna generalizada - um mero rótulo distinto não tem o poder de esconder a pura realidade. 

O bicho parece galinha, tem pé de galinha, cabeça de galinha, faz barulho de galinha e tem cheiro de galinha, mas não deve ser uma galinha, afinal de contas o bicho não se intitula galinha. 

Como já dito, melhor não discutir com gente maluca. O ideal é se adaptar ao ambiente, entrar no clima do uso equivocado e da subversão das palavras e, detonando o português e o sentido das coisas, "segir enfrente".

Por Mateus Wesp