Escalada de tensões internacionais pressiona combustíveis, aumenta custos de produção e amplia a apreensão no campo gaúcho
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O mundo volta a atravessar um período de instabilidade geopolítica. A escalada das tensões no Oriente Médio, envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, já começa a produzir efeitos que vão muito além daquela região. Sempre que rotas estratégicas de energia entram em risco, o impacto rapidamente se espalha pelos mercados globais.
O petróleo sobe, o frete marítimo encarece e fertilizantes e insumos agrícolas passam a sofrer pressão. Em poucas semanas, uma crise distante percorre as cadeias produtivas e chega à economia real — e, inevitavelmente, à mesa das famílias.
Para estados fortemente agropecuários como o Rio Grande do Sul, essa dinâmica é ainda mais sensível. O agronegócio depende diretamente de energia, fertilizantes, logística internacional e estabilidade nos mercados de commodities. Quando esses fatores se tornam instáveis, o impacto aparece rapidamente no campo.
Mas o produtor gaúcho já vinha enfrentando dificuldades. Nos últimos anos, o Estado sofreu sucessivas estiagens que comprometeram safras e reduziram a renda rural. Ao mesmo tempo, o aumento do custo de insumos elevou o risco da atividade agrícola. Mais recentemente, a queda nos preços internacionais das commodities passou a pressionar ainda mais as margens do produtor.
Sou do norte do Rio Grande do Sul, uma das regiões mais dinâmicas do agronegócio brasileiro. Nesta semana, durante a Expodireto Cotrijal, foi possível perceber algo incomum entre os produtores: um clima de apreensão.
O agricultor gaúcho é resiliente e está acostumado a enfrentar adversidades. Mas desta vez a preocupação é maior. Receio de novas estiagens, receio de custos elevados e receio de preços internacionais baixos formam um cenário de incerteza que se soma às dificuldades recentes.
Agora surge mais um fator de preocupação: o combustível. A guerra tende a pressionar os preços da energia, e o diesel é um dos principais insumos da atividade agrícola. Ele move máquinas, caminhões e toda a logística da produção. Para um produtor que já vem de sucessivos reveses climáticos e margens pressionadas, qualquer nova instabilidade gera impacto imediato.
Diante desse cenário, o governo do Rio Grande do Sul tem buscado liderar, junto ao governo federal, a construção de alternativas que permitam aliviar o endividamento do produtor rural e preservar a capacidade produtiva do campo. O agronegócio responde por cerca de 40% das exportações gaúchas e sustenta a economia de centenas de municípios do interior. Em momentos de incerteza internacional e pressão econômica, a política precisa agir com serenidade, prudência e conhecimento para proteger aquilo que sustenta a economia do Estado: o trabalho de quem produz no campo.